terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A geração que está agora com 16-25 anos estará perdida?


É preciso reflectir, ler com atenção.

A recessão agravou as condições de vida dos jovens

"Geração perdida. A expressão, amarga, integral, acaba de ser usada no Reino Unido para encaixar quem tem agora entre 16 e 25 anos. Em Portugal há indicadores."
Com a recessão, por ser tão difícil encontrar emprego e segurá-lo, uma geração inteira está desesperançada. Se o país não responder, toda ela se perderá, avisam os autores desse estudo encomendado pela organização não governamental Prince"s Trust. Em Portugal, não há qualquer estudo equivalente a este financiado pelo príncipe Carlos - que auscultou 2088 britânicos. Mas há indicadores. A Eurostat acaba de actualizar o fulcral: em Novembro, o desemprego nos jovens até aos 25 anos estava nos 18,8 por cento, abaixo da média da União Europeia (21,4 por cento). Nos extremos, a Holanda (7,5) e a Espanha (43,8).

O fenómeno é bem conhecido, julga Virgínia Ferreira, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (UC): "Ao lado, em Espanha, chamam-lhes os mileuristas. Aqui, ficamos pela metade, pelos 500 euros." Falar em geração perdida, contudo, parece-lhe um exagero: "Isso é um rótulo, uma máxima usada para simplificar uma ideia complexa".

Há cada vez menos jovens. Em 1999, segundo o Instituto Nacional de Estatística, eram 3,1 milhões - 48 por cento tinham entre 15 e 24 anos (1,5 milhões). Em 2008, eram menos 327 mil. E o grosso da contracção (295 mil) verificou-se naquela faixa etária. É a geração mais escolarizada de sempre. No ano lectivo 2007-2008, estavam inscritos no ensino superior 377 mil alunos - mais 20 por cento do que em 1995-1996. No final, as universidades mandaram para o mercado mais de 83 mil diplomados - mais 16 por cento do que no ano anterior. Apesar disto, "as gerações anteriores entraram mais facilmente no mercado de trabalho", avalia Carlos Gonçalves, que tem estudado a empregabilidade dos universitários. Agora demora mais. E quem fura, amiúde, fá-lo através de contratos a termo certo ou de recibos verdes. O exemplo típico é o do licenciado no call center.

Havia, aponta Elísio Estanque, da Faculdade de Economia da UC, "uma empregabilidade relacionada com a aprendizagem". Os alunos tentavam se-guir o gosto, a vocação. O ensino "democratizou-se, mercantilizou-se". A garantia esfumou-se. A crise agudizou o fosso. Agora, "a grande preocupação é se o curso tem ou não saída. Per-versamente, têm mais dificuldades em obter melhores resultados".

A difícil transição

Nem só os universitários vivem a calamidade. Os menos qualificados também - todos os dias, empresas a falir, fábricas a fechar portas. A transição do mundo juvenil para o mundo adulto alterou-se. Os jovens deixam-se estar em casa dos pais. Adiam compromissos - como comprar casa ou constituir família, precisa Virgínia Ferreira. Por toda a parte se vê desejar um trabalho precário. Não aquele em vez de outro: aquele porque não há outro. "À minha volta está tudo deprimido por não ter expectativas e por ter de conviver com um emprego insatisfatório", desabafa Sara Gamito, do movimento Precários Inflexíveis. "Ficam com os pés e as mãos atados e vão perdendo o alento."

"Apesar de não nos definirmos só pelo que fazemos, o trabalho desempenha um papel fundamental na construção do eu", explica Sofia Marques da Silva, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. "E o salário é um elemento essencial para aceder a bens e organizar a transição. Sem salário, há um recuo ligado até à dignidade."

Recusa o epíteto "perdida", mas está convencida de que "esta geração tem muita dificuldade em ter uma cultura de projecto - em imaginar o que vai fazer num tempo que ainda não existe". Fixa no presente o sentido dos dias e isso parece-lhe "perigoso": "Alguém que não imagina etapas na sua vida, às vezes, só quer usufruir rapidamente momentos, sensações". Não fala em revolta, como se viu noutros países europeus. Fala de ingresso na criminalidade, por exemplo. Elísio Estanque observa alheamento e inquieta-se com a saúde da democracia. Não só por o sistema não funcionar sem uma base de participação eleitoral. Também por ser importante haver associações para o olear. E existir "pouca disponibilidade dos jovens para participar: condiciona-os o medo".

Não se pode homogeneizar. Há focos de protesto, inclusive através de blogues e movimentos, como lembra Cristina Andrade, da Fartos d"Estes Recibos Verdes. Mas impera "uma docilidade que é assustadora", torna Sofia Marques da Silva. "As empresas olham para estes jovens como dóceis. Aceitam tudo." Ao fazer uma etnografia numa casa de juventude de Matosinhos, ouviu um dizer: "Comem a carne e deixam-nos os ossos". O rapaz que pronunciou aquela frase não aceitava tudo. Tinha 20 anos e já fora cortador de carne, já fora estivador no Porto de Leixões e não aceitou um trabalho na construção - era mal pago, era nocturno e em tempo de chuva.

Há estratégias de valorização - de sobrevivência mental. Às vezes, basta-lhes uma centelha. Sofia Marques da Silva viu aquele rapaz explicar, por exemplo, como carregar contentores é exigente em termos físicos. Ou uma rapariga que trabalhava numa fábrica gabar-se de saber fazer de tudo: cortar, coser, limpar.

Factos e números sobre o problema maior de uma geração

- Entre 1999 e 2009 foram criados 273,3 mil postos de trabalho. Mas destruíram-se 221 mil empregos ocupados por jovens.

- Na mesma década, foram criados 117 mil postos de trabalho com contratos permanentes. Mas destruíram-se 175 mil empregos com contratos sem termo ocupados pelos jovens e 77 mil ocupados por empregados com idades entre os 25 e os 34 anos.

- De 1999 a 2009, foram criados 205 mil postos de trabalho com contratos a prazo. Mas destruíram-se nove mil postos de trabalho a prazo ocupados por jovens. Mais de metade dos postos de trabalho criados com contratos a prazo foram ocupados por pessoas com idades entre os 25 e os 34 anos.

- Nesses dez anos, destruíram-se 48 mil empregos com outro tipo de contratos (incluindo recibos verdes). Três em quatro desses postos de trabalho eram ocupados por jovens.

- Em 1999, cerca de 60 por cento dos jovens tinham um contrato permanente. Dez anos depois, esse grupo desceu para 46 por cento do total.

- Em 1999, cerca de 30 por cento dos jovens tinham um contrato a prazo. Dez anos depois, o seu número representava já 47 por cento do total.

- Em 1999, um em cada quatro desempregados era jovem. Em 2009, passou a ser um em cada seis.

- Em 1999, três em cada quatro desempregados jovens tinham o ensino básico. Dez anos depois, o seu número baixou para dois em cada quatro.

- Em 1999, os jovens desempregados licenciados representavam cinco por cento do desemprego juvenil. Dez anos depois, o seu peso era já de 12 por cento.

- Em 1999, havia nove mil jovens licenciados inactivos (não eram empregados nem desempregados). Dez anos depois, passaram a ser 26 mil. Nesse período, subiu também o número de jovens inactivos com o ensino secundário (de 212 mil para 228 mil).


10.01.2010 - 08:03 Por Ana Cristina Pereira, com Romana Borja-Santos

In Público

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Peso da Régua reivindica IC26

06 de Janeiro de 2010
Peso da Régua reivindica IC26

Autarquia exige solução que sirva as necessidades do concelho e da região

Atendendo aos últimos desenvolvimentos tornados públicos sobre a construção do IC26 entre Amarante e Peso da Régua, que anunciam a utilização do corredor da Estrada Nacional 101 para a sua implementação entre Amarante e Mesão Frio, bem como a possibilidade da requalificação da Estrada Nacional 108, entre Mesão Frio e Peso da Régua, a Câmara e Assembleia Municipal do Peso da Régua tomaram, por unanimidade, a seguinte posição:

1-“Preocupa-nos a ligeireza com que os sucessivos Governos, tanto do PS como do PSD, sobre esta matéria têm prometido e dado relevo à construção do IC26, ligeireza que é exactamente a mesma com que depois não cumprem com tais promessas;

2-Relativamente ao anterior Governo, foi o IC26 publicamente assumido pelo Sr. Primeiro-Ministro, bem como pelo Sr. Ministro das Obras Publicas e ainda pelo Sr. Secretário de Estado das Obras Públicas, neste caso promessa feita pessoalmente perante os Presidentes de Câmara do Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião e Mesão Frio. Prometeu formal e concretamente, que o IC26 entre Amarante e Peso da Régua ficaria pronto, ainda antes da abertura da Auto-Estrada entre Amarante e Vila Real;

3-Lamentamos, desde já, todo o atraso e a desvalorização efectiva que esta via fundamental tem vindo a sofrer por parte da Administração Central, quando a entendemos de elevada importância para o desenvolvimento e afirmação do Douro;

4- Sobre a solução técnica em concreto, a utilização do actual corredor ou espaço canal para a implementação da via alternativa à existente, parece-nos como principio, uma solução sensata e compreensível. Contudo importa e é necessário que rapidamente seja verificada a sua exequibilidade técnica, para não continuarmos indefinidamente em fase de estudos e de sucessivas alternativas aos estudos;

5-Conhecemos bem as dificuldades que o País atravessa, pelo que não pretendemos uma duplicação de vias entre Amarante e Peso da Régua. Pretendemos sim, uma via alternativa, diferenciada da actual em termos de resposta na mobilidade, que disponibilize, a partir de características totalmente diferentes, melhores condições de segurança, conforto e velocidade de percurso;

6-Se a utilização do corredor existente se mostra eventualmente possível para atingir os objectivos traçados entre Amarante e Mesão Frio, não temos dúvidas que tal solução não é possível, mostrando-se completamente desadequada, entre Mesão Frio e Peso da Régua. O terreno acidentado, o desnível a vencer entre Mesão Frio e o Lugar da Rede, e um conjunto elevado de outros constrangimentos existentes na actual ligação entre Mesão Frio e Peso da Régua, de que destaco a zona do referido Lugar da Rede e Caldas do Moledo, provam a impossibilidade e quanto é desadequada a utilização do mesmo corredor para a implementação do IC26 que pretendemos;

7-Tememos sinceramente, que voltemos a estar envolvidos num cenário semelhante a um outro já anteriormente vivido, onde se faziam propostas de traçados que objectivamente já tinham o seu destino definido, o chumbo em sede de estudo de impacte ambiental;

8-Para sermos práticos e objectivos, e se há realmente verdadeira intenção de realizar o IC26, no nosso entendimento a ligação entre Mesão Frio e Peso da Régua, terá de ser assegurada por uma nova via, alternativa à existente, nova via esta, que não terá de invadir o Território Património da Humanidade, passando completamente fora deste espaço e da bacia visual do Douro;

9-Ainda relativamente à utilização do corredor existente entre Mesão Frio e Peso da Régua, queremos sobre Caldas do Moledo afirmar, que este é um espaço que pretendemos preservar e dinamizar em termos Turísticos, a partir de um Plano de Pormenor que temos em execução. Trata-se de um Lugar ímpar, que em muito poderá vir a contribuir para a afirmação do Douro, não sendo possível o seu convívio com o atravessamento de uma via com o tráfego que esta possui;

10-Acresce ainda uma questão fundamental para a cidade do Peso da Régua, que se prende com a construção de uma variante ao atravessamento de um tráfego que não nos diz directamente respeito, proveniente do Sul do Distrito de Vila Real e do Norte do distrito de Viseu, e que passa pela zona mais nobre da cidade em direcção a Amarante, prejudicando a mobilidade e qualidade de vida, comprometendo a sua afirmação, factor que consideramos não só fundamental para o Concelho mas também para a Região. Importante será ainda afirmar, que Peso da Régua faz parte da Rede de Cidades Douro Alliance com Vila Real e Lamego, e só com a construção desta variante (que objectivamente se materializa com uma nova via entre Mesão Frio e Peso da Régua), poderá Peso da Régua assumir integralmente o papel que lhe cabe nesta Rede, que vê na sua Zona Ribeirinha o potencial que pretende valorizar.”

A Câmara e Assembleia Municipal do Peso da Régua reafirmam, desta forma, a reivindicação pelo IC26, via considerada fundamental, exigindo que a mesma encerre as características que expostas e que reflecte completamente aquela que tem sido a posição de Peso da Régua no acompanhamento deste processo, junto da Estrutura de Missão do Douro, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e Estradas de Portugal, EP.

A tomada de posição aprovada, por unanimidade, em reunião ordinária da Câmara e da Assembleia Municipal sublinha ainda que “o Governo não se pode concentrar nas Super Obras Públicas e esquecer uma Região com o potencial que esta nossa Região do Douro possui. A coesão territorial não pode ser apenas discurso, terá neste caso de ser obra.”
in http://www.cm-pesoregua.pt/index.asp?idedicao=51&idseccao=1027&id=897&action=noticia